sexta-feira, 25 de março de 2011

Uma espécie de de Governo/Sindicato ligh no poder, hard nas agressões

 
Entrevista a um Patrão (mau patrão, logo aí candidatado a gestor de empresa pública) e seu Trabalhador ( mau do ponto de vista do salário, perfeito do ponto de vista dele)

Este texto não contém qualquer opinião do autor, em qualquer dos assuntos integrantes do mesmo.
A sério estes tipos são doidos e eu não quero ter nada a ver com está gente.

Chega o patrão atrasado.

Trabalhador: Chegou atrasado.

 Patrão: Eu sou Patrão chego ás horas que quiser, e para já tu chegaste cedo mas não conta que estás a jogar farmville, no facebook.
Ainda por cima vieste de bicicleta, e até aposto que da casa do paizinho, não foi?

Trabalhador: Por acaso não, vim da casa da mãe que eles estão divorciados e você não pode reclamar que vive com a mãe.

Patrão: Não vivo, não, a mamã é que vive comigo, é diferente.

Podemos começar? 
Dão-se bem como patrão e empregado?

Patrão. Claro, perfeitamente.

Então é bem tratado pelo seu patrão?
Patrão: Claro que é.

A pergunta é para o trabalhador.

Trabalhador: Bem eu … (leva uma pancada do patrão, que o impede de responder)

Patrão: Ele concorda.

Trabalhador: Não!! Eu tenho direitos eu posso dizer o que penso…

Patrão (Acena com o que parecem ser currículos): Só aqui tenho dez para o teu lugar.

Trabalhador: Concordo, trata-nos como reis.


Tem portanto boas condições de trabalho?

Trabalhador: Casa de banho: é um penico para cada um.

Patrão: WC individual.

Trabalhador: A sala está sobrelotada.

Patrão: Promovo o convívio social entre colegas.

Trabalhador: Ratos, baratas, bolor.

Patrão: Diversidade de espécies no local de trabalho.

Trabalhador: O almoço é meia sandes de uma coisa que parece tudo menos carne e é azul e um copo de qualquer coisa que ainda ninguém percebeu o que é.

Patrão: Preocupação com os problemas de obesidade do país.

Trabalhador: Trabalhamos 14 horas por dia.

Patrão: Esforço, empenho e dedicação é o lema da equipa.

Trabalhador: E só nós paga o ordenado mínimo de 275 euros.


Mas o ordenado mínimo é de 485.

Trabalhador: Como?!, isto é inaceitável fomos enganados você ….

Patrão: Repare que eu mesmo só declaro 485.


Só recebe 485?


Patrão: Não, percebeu eu declaro 485, receber, recebo mais.


Portanto pratica negócios ilícitos, crimes?

Patrão: Bem eu contratei este palhaço, não sei bem se conta mas …( e da-lhe mais uma pancada)

Trabalhador: Hei, também sou pessoa.

Patrão. Chiu, não és não, és empregado.
 Além dele só uns ajustes aqui outros ali, tira a um dá a outro, coisas mínimas, insignificâncias.

Portanto a crise não os afecta?

Patrão: Bem falando com as pessoas certas, não.
 Mas afecta sempre um pouco,tive que acabar com algumas das regalias, dos empregados, as minhas mantiveram-se, mas, já diminui o número de carros que compro por mês, já só compro 3 carros/mês,  a moradia que comprei o mês passado só tem piscina exterior, já só vou a restaurantes três vezes ao dia, não imagina como tenho poupado, é crise.

Trabalhador: Eu não tenho poupado tanto aqui como o Sr.”Poucos Luxos” (e neste altura leva mais uma pancada), até porque não sobra nada para poupar, mas eu já moro com os meus pais, as amantes dos pais, os tios, os avôs, e dois senhores que apareceram lá á porta a vender qualquer coisa e nunca mais saíram, ando de bicicleta…

Patrão: faz bem á saúde, se eu pudesse até fazia o mesmo, mas cansa.

Trabalhador: … e tive quinze empregos nos últimos cinco anos, não tenho férias á três e como o que resta no frigorifico.

Patrão: Está a fazer fita, miúdos.

Mas isto está a mudar, agora vai haver eleições e tudo? Qual é a vossa opinião?

Patrão: Olhe eu não tenho nada a declarar do Excelentíssimo Sr. Engenheiro Sócrates que sempre apoiou os empresários, a trafulhice e incentivou e deu apoios... aos ricos.

Trabalhador: Eu estou a pensar em iludir-me por mais seis meses com o Passos Coelho, até porque depois com este posso estrear insultos novos, que já gastei as piadas de engenheiros todas.

Mas ou menos este, não tirou o curso por fax?

Patrão: E daí eu só tenho a 2ª classe( e foi porque a minha mãe era a professora) e dei-me bem na vida.

Trabalhador: Pois eu nessa concordo….

(leva mais uma pancada)

Trabalhador: Eu estava a concordar.

Patrão: Desculpa, foi do hábito.

Trabalhador: Como estava a dizer nessa concordo, pois eu já vou no quinto diploma que recebo e ainda não me dei bem.

Andou muito tempo na Universidade?

Trabalhador: Claro, eu curtia bué aquilo, as discotecas, os bares, os copos com os amigos, as miúdas, os festivais e os concertos.

E estudar?

Trabalhador: Pois. Isso também.

Portanto o futuro parece-vos risonho?

Patrão: Para mim, sim, agora se ele não aprender uns “truques”, está…

Trabalhador: Estou fod****

Boa noite aos dois

Acabamos por aqui, agora vou ali apresentar queixa, que ouvi aqui certas coisas e….

(Altura em que ele me passa um cheque do qual não vou referir a quantia pois estamos em crise e eu não quero chocar ninguém)

Queria elogiar o profissionalismo deste senhor, e esclarecer que é deste tipo de pessoa que precisamos para salvar o país, um homem verdadeiramente exemplar.
( E guardo o cheque)

3 comentários:

  1. "Uma sátira á nossa sociedade" - por favor emende e escreva "à"...

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  2. Tanta coisa verdadeira na ironia desta "entrevista"...

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